quinta-feira, 7 de abril de 2011

Danço eu, dança você/ Se ela dança, eu danço

Algumas vezes já passou pela a minha cabeça, que além de pregar certas peças, o destino também mexe nos caminhos, como trilhos de trem que são reposicionados pra que os vagões sigam outra direção e cheguem a outro "destino".
Sim, essa palavra que as vezes usamos como desculpa por olhares trocados e sorrisos encontrados, outras vezes a culpamos pela alteração de nossas rotas pois no que dependesse de nós, talvez nunca puxaríamos as alavancas para mudar a posição dos trilhos, no fim queremos chegar a ela, como toda viagem chega ao seu destino final.

Hoje o destino conspirou, quase pude ver ele mexer os pauzinhos e assim me ensinar como se faz uma canoa. No mínimo tive que abaixar a cabeça e ser humilde, por perceber que apenas sou uma marionete em suas mãos.

Na verdade, não acho nem que foi só hoje que ele agiu, acho que ele age desde sempre, mas essa semana nada ficou por baixo do panos, enfim, esse danado nem disfarçou.

Passei mais uma semana sem ter o que fazer, morando em uma cidade, querendo ou não, estranha, onde meus poucos amigos ou trabalhavam, ou estudavam, vim dia após dia apenas trocando o pijama e procurando novos filmes na tv. Isso tudo já estava me irritando, mas eu tinha algo planejado, na quinta a noite, um filme, uma conversa, uma noite agradável na melhor companhia possível.
Aí lá vem o destino em seu primeiro ato grosseiro: a tal companhia agradável desmarca comigo para ver os amigos, claro.. eu entenderia perfeitamente, mas ele sabe que INFELIZMENTE ele é uma das poucas pessoas que eu posso contar nessa cidade, e no andar da carruagem, em algum tempo eu perderia o poder da fala, ou de me relacionar com pessoas, afinal nunca havia ficado tanto tempo presa em um apartamento.
Mas é verdade, não foi apenas um sonho, eu estava dispensada em uma quinta a noite, trágico não? aí o destino fez seu segundo ato: ligo correndo o computador, para ver se havia algum amigo disponível e pronto pra me socorrer com um chopp bem gelado e um abraço apertado, ligo o msn e lá estava ela, Carol.. amiga de anos cujo o mesmo destino que nos separou, hoje nos uniria de novo, enquanto ela não me respondia no msn, entro no facebook, e lá está, sem mais nem menos, um recado dela, onde ela dizia que eu estava em seu coração. Ta aí.. esperto esse destino, dá um tapa de um lado, mas afaga de outro, a Carol não podia sair, e nem o Felipe, mas nenhum me poupou ouvidos no telefone, ou dedos no teclado, e via tecnologia me consolaram.
Aí vem o destino em terceiro ato: o meu amigo Felipe me pergunta: "A Carla não te ligou não? ela ia te chamar pra tomar um chopp mais cedo". Mas não, a Carla não me ligou.
Seria tudo isso uma armação? será que tudo que podia ter sido melhor, não foi por uma razão? se eu tivesse saído de casa essa semana, talvez não teria ficado tão indignada, se a Carla tivesse me chamado pro chopp de hoje cedo, o bolo não seria nada, mas será que o destino armou, para que tudo tomasse esteróides e a minha decisão fosse outra? vai saber..
Hoje eu vou me curtir..fica sozinha é bom pra ouvir os próprios pensamentos, depois veremos como esse pregador de peças agirá, e eu? eu vou dançando conforme a música, e tem até uma música pra trilha sonora deste texto: "Desilusão, desilusão.. danço EU, dança VOCÊ a dança da solidão".